Carta à sociedade
A Federação Interestadual de Trabalhadores em
Telecomunicações (Fittel) vem a público manifestar que rechaça qualquer corte
de posto de trabalho na operação envolvendo as operadoras Oi e Brasil Telecom.
Apesar de estar ciente do acordo de manutenção de postos de trabalho pelo
período de três anos, a direção da Fittel declara que em uma situação como
esta, vários cargos terão sobreposição e uma nova distribuição de pessoal
poderá não ser suficiente para absorver toda a mão de obra hoje existente nas
duas empresas. Atualmente, a Oi conta com 8.776 funcionários e a Brasil Telecom
5.741 trabalhadores. Este número, portanto, deverá ser o mínimo da nova empresa
nos próximos três anos.
Outra questão que deve estar na pauta das
autoridades é o agravamento dos problemas na política de telecomunicações. Com
uma empresa muito maior que as atuais concessionárias de telefonia fixa, o
descaso com o usuário passa a ser maior, a qualidade corre o risco de ficar
seriamente comprometida e a competição, definitivamente, não existirá no
segmento.
A Fittel questiona como será a estratégia da nova
empresa para ampliar a qualidade da prestação do serviço ao usuário. Como é
público, em algumas regiões, especialmente onde opera a Oi, o serviço de
telefonia fixa ainda tem deficiências. É fundamental que a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) seja rigorosa na análise dos indicadores, e nós da
Fittel estaremos atentos aos índices, pois o usuário, que paga caro, merece, no
mínimo ter um serviço de qualidade.
Outro aspecto a ser levantado é a competição.
Apesar de esforços por parte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e
do Ministério das Comunicações, a política equivocada do governo FHC ainda é
uma herança neste meio. O usuário da
telefonia fixa está sujeito à vontade da operadora local. Com a união das duas
maiores empresas neste segmento, o estabelecimento da competição se torna ainda
mais complicado. Assim como está a regulamentação, vamos continuar com índices
insignificantes de mercado para as empresas espelho e a “Super Tele” terá ainda
mais força para adotar a política que achar conveniente diante do usuário.
Outra preocupação é a universalização. É até
verdade que a telefonia fixa chegou em muitos municípios, porém os valores
cobrados pela assinatura básicae a maioria dos serviços prestados não são
acessíveis à população de baixa renda, portanto, esta população marginalizada
do processo de universalização. Com uma empresa maior, operando em quase todo o
país, novamente o usuário de baixa renda será esquecido. Dizer que este usuário
é inserido no serviço através da telefonia móvel pré-paga é uma falácia, pois o
custo do minuto neste tipo de serviço é o mais caro da telefonia. Isso
significa que este usuário tem apenas o direito de receber chamadas e não entrar
em contato com outros usuários.
Este é o nosso protesto.
Fittel – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações – www.fittel.org.br