Maria da Penha recebe indenização após sete anos

 

Depois de sete anos, a biofarmacêutica Maria da Penha, que dá nome à lei que endureceu as penas para quem pratica violência doméstica, recebeu nesta segunda-feira uma indenização de R$ 60 mil do governo do Ceará. Maria da Penha ficou paraplégica, após receber tiros do marido, em 1983. Depois disso ele tentou eletrocuta-la, numa espiral de violência que fez com que ela lutasse por punição para seu agressor.

 

Depois de 19 anos de insistente batalha, Maria da Penha conseguiu que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenasse o Brasil por negligência e omissão pela demora de 19 anos para punir o ex-marido de Penha, Marco Antonio Herredia Viveiros, e recomendou o pagamento de indenização à biofarmacêutica.

 

Economista, Herredia foi condenado a pouco mais de seis anos de prisão pelas sucessivas agressões e tentativas de assassinato.

 

Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, a Lei Maria da Penha prevê que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham decretada prisão preventiva. Além disso, aumenta a pena máxima de um para três anos de detenção. A lei acabou com o pagamento de cestas básicas ou multas, penas a que estavam sujeitos anteriormente os agressores.

 

A Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT/ES vê a punição como um precedente importante para que também o Estado atue como agente inibidor da violência contra as  mulheres. “O valor da indenização é irrisório frente aos sofrimentos acumulados e vividos por Maria da Penha. No entanto, vale frisar a importância que a condenação e a repercussão desta punição pode ter no enfrentamento cotidiano que se deve fazer pela não violência contra a mulher”, ressalta a diretora da CUT/ES, Margaret Belmiro, titular da secretaria.

 

Edilson Lenk – CUT-ES – www.cut-es.org.br